Enc: REDES SOCIAIS E ‘BOLHAS POLÍTICAS’ (CLÓVIS VERONEZ)

REDES SOCIAIS E ‘BOLHAS POLÍTICAS’ (CLÓVIS VERONEZ)

28 de março de 2016 Administrador Um comentário
politica na rede
O facebook vem restringindo o alcance das publicações que envolvem posicionamentos políticos.
Há tempo constatamos.
Quem administra páginas com essa caraterística, percebe logo um fenômeno interessante: enquanto cresce o número de envolvimentos, na razão inversa diminui o número de pessoas alcançadas pela publicação. (Basta verificar as estatísticas fornecidas pelo próprio Face).
Matéria publicada pelo Estadão, domingo(27), revela um tipo de tecnologia baseada em códigos de inteligencia artificial que estaria criando uma “bolha” em torno das pessoas.
– “O Facebook tende a filtrar aquilo que é socialmente relevante para um grupo. Isso dá a sensação de que toda a rede social concorda com você”. O estadão, faz referencia a professora Raquel Recuero (UCPEL) citando-a como pesquisadora de mídias sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O que a matéria faz questão de omitir é que o alcance está, também, vinculado ao investimento do Capital na rede social. Publica-se e minutos depois vem aquele lembrete: sua publicação está obtendo mais envolvimento que 85, 90, 95% das outras recentes. Impulsione por R$ 4, 10, 18 e, depois, o plano para o investimento.
Assim, desconsidera o fato de que o poder econômico e seus representantes na mídia propagam seus pontos de vista numa velocidade estonteante, multiplicando geometricamente suas opiniões. A rede é bem mais comercial do que social. Aqui, circulam milhões e, importa mais fazer o caixa sorrir, do que revelar proporcionalidades nas maneiras de pensar ou leituras de mundo.
O Observatório Pelotas, através do seu Núcleo de Observação Social (NOS), trabalha para demonstrar o crescente domínio das grandes corporações da mídia, via capital/dinheiro “investido” nas redes sociais.
A mídia alternativa desenvolve um combate de guerrilha frente ao poder econômico. Alguém duvida?
(trechos da matéria do Estadão)
Segundo especialistas consultados pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a tecnologia que ajuda o usuário a encontrar mais conteúdo relevante na internet está criando uma “bolha” em torno das pessoas. No caso das disputas políticas, o efeito é claro: o usuário sempre tem a impressão de que está certo, já que só tem contato com aqueles que compartilham de sua visão.
Usar algoritmos em sites não é uma novidade. Eles ganharam fama em 1996, quando Sergey Brin e Larry Page, cofundadores do Google, escreveram um código para exibir primeiro as páginas da internet mais relevantes para uma determinada pesquisa. Sites com menor importância e menos links ficavam no fim da lista. A tecnologia – que atualmente leva em conta dezenas de outros fatores – deu origem ao maior buscador de sites da internet.
Com o sucesso do Google, outras companhias da internet criaram algoritmos. No caso das redes sociais, o Facebook passou a exibir postagens dos usuários mediante sua relevância a partir do fim dos anos 2000. A tecnologia foi um dos fatores determinantes para seu sucesso.
Assim como outras empresas, o Facebook nunca revelou em detalhes como seu algoritmo funciona. Pelo que se sabe, ele considera ações dentro do site: ao curtir, compartilhar, comentar ou bloquear conteúdos, o algoritmo “aprende” e passa a exibir apenas o que considera relevante para aquela pessoa. O restante fica no final do feed de notícias – ou, simplesmente, é ignorado…
“O algoritmo e o usuário coproduzem o feed”, explica o professor de ciência da informação da Universidade de Michigan Christian Sandvig. “O computador te observa e aprende com o que você clica. Ao mesmo tempo, você decide como responder ao que ele mostra a você.”
Enquanto o algoritmo se restringe aos gostos pessoais, os efeitos não são nocivos. As coisas mudam de forma, entretanto, quando o conjunto de códigos começa a influenciar na visão política das pessoas. A “bolha política” já foi comprovada por diversos estudos. Um deles – realizado em novembro de 2010 pela Universidade da Califórnia, com aval do Facebook – simulou as eleições presidenciais americanas e concluiu que cerca de 340 mil pessoas mudaram de voto após verem uma postagem positiva sobre um candidato no topo do feed de notícias. “Seria bastante simples para uma rede social como o Facebook manipular uma eleição”, diz Sandvig.
No Brasil, nenhum estudo foi realizado para entender a influência do Facebook na política. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”
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